eu vejo a estrada que ando traçando, tenho sempre a impressão de estar seguindo como devo, e se precisasse avaliar, sim, tudo vai muito bem, porém, contudo, entretanto, todavia, e mais todas as conjunções coordenativas adversativas, que mostrem oposição de ideias em tudo que escrevo, penso, sinto ou falo. Porém, por dentro nada muda.
Quando estou com a caneta em posse, quando paro na frente da minha Olivetti 22, ou aqui mesmo, na tela fria do computador, o sentimento é o mesmo de anos atrás. Mudei de rosto, mudei as músicas, mudei de companhia, mudei até de casa, arrisquei, e imaginava, que quando tivesse realmente a obrigação de lutar pelo que é meu, me sentiria livre e acreditaria em mim. Não foi assim. E lentamente eu fui descobrindo que minha destruição sou eu, nada me impede, a não ser a minha mente insana.
Eu continuo buscando respostas nos lugares errados, continuo querendo voltar pra terapia, fico procurando alguém que possa entender e também me explicar. Mas, no final eu sei que vai ser a mesma coisa.
Ouvir que eu não tenho que ficar triste, tudo está dando certo, ouvir que logo passa, ouvir que eu preciso me focar em outras coisas, e dizer: "Com certeza, vocês tem razão". Tenho contas, tenho trabalho, tenho meus estudos, tenho a pessoa que amo, tenho amigos, e minha vida não é repetitiva, mas agora me diz do que adianta tudo isso se eu sinto que a minha essência morre a cada dia que passa? Não ter com quem falar é esse o motivo desse texto, todos estão cansados, inclusive eu. "Vai e escreve, ué. Se não ficar bom, tudo bem, se ficar ótimo, tudo bem", é o melhor conselho que recebi, e o que tenho feito, todos os dias, de manhã, no papel ou aqui (não, não vou postá-los), mas por enquanto nada resolve minha ânsia.
Não é uma obrigação, escrever é o que eu preciso, é a minha base de vida, não é profissão, não é orgulho, é necessidade que vem de dentro, preciso disso, entende?
Não, eu sei que não. Até porque, nem eu entendo.